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WSL World-Class 1:1Getty/GOAL

Como a Women's Super League se consolidou como o destino preferido de superestrelas de classe mundial

Ameé Ruszkai
Traduzido por
  • O Barcelona disputou cada uma das últimas seis finais da Liga dos Campeões Feminina, vencendo quatro. O Barça tomou o lugar do Lyon, oito vezes campeão europeu, para se tornar a nova força dominante do continente e o melhor time do futebol feminino na atualidade. E, ainda assim, neste verão, embalado por esse quarto título da Liga dos Campeões, três das jogadoras mais importantes do Barça deixaram a Catalunha para se transferir para a Inglaterra e para a Women's Super League.

    Isso diz muito mais sobre a WSL do que sobre o Barça, porém. A elite inglesa vem sendo apontada por muitos como a melhor liga do mundo há algum tempo, mas as chegadas de Alexia Putellas, duas vezes vencedora da Bola de Ouro, de Mapi Leon, talvez a melhor zagueira do planeta, e de outra jogadora genuinamente de classe mundial, Ona Batlle, só reforçaram a candidatura da divisão a esse posto.

    Essas transferências significam que mais da metade do GOAL World-Class Club agora joga futebol de clubes na Inglaterra. Outras integrantes, como Mariona Caldentey e Ellie Carpenter, ex-Barcelona e Lyon, respectivamente, também optaram por se juntar a times da WSL nos últimos tempos, depois de já terem se estabelecido entre a elite do futebol feminino.

    Está claro que, embora o Barça possa ser a força dominante da Europa, e o Lyon não fique muito atrás das catalãs na hierarquia continental, em termos de liga, a WSL é o lugar certo para estar. Então, o que há na divisão que está atraindo as melhores jogadoras do mundo?

  • A liga mais competitiva da Europa

    Khadija Shaw Man City Women WSL trophy 2025-26
    Getty Images

    O Manchester City venceu a WSL na última temporada, apesar de ter perdido 11 pontos, um número quase inédito entre campeões de ligas rivais

    Entre eles, Barcelona e Lyon conquistaram 10 dos últimos 11 títulos da Champions League. O Lyon responde por seis desses triunfos e chegou a outras duas finais. Já o Barcelona tem quatro títulos continentais e foi vice-campeão em três ocasiões. É nesses dois clubes que as chances de glória europeia são maiores.

    Mas isso, junto com o domínio implacável em nível nacional, aparentemente já não é suficiente para jogadoras de elite. Embora esses sucessos sejam incríveis e momentos que elas sempre vão saborear, as melhores jogadoras querem ser desafiadas com mais frequência, e a WSL é a única liga da Europa em que isso é possível de forma consistente.

    Na temporada passada, o Barcelona somou 87 pontos de um máximo de 90 para conquistar seu sétimo título consecutivo da Liga F. Em todas as competições, o Barça perdeu apenas um jogo no caminho para uma quádrupla coroa.

    Na França, o Lyon exibiu domínio semelhante, ficando invicto em todos os jogos domésticos para conquistar uma tríplice coroa. Suas únicas derrotas foram nos jogos de ida de dois confrontos da Champions League, que acabou vencendo no placar agregado, e na final europeia para o Barcelona. O Bayern de Munique também só perdeu em competição continental na temporada passada, somando 74 de 78 pontos possíveis para vencer a Frauen-Bundesliga como parte de uma tríplice coroa nacional.

    Com a Serie A da Itália mostrando potencial como liga, mas ainda em crescimento, é a Inglaterra e a WSL que oferecem o nível mais regular e consistente de competitividade de elite que as jogadoras desejam.

    Na temporada passada, o título foi conquistado pelo Manchester City, que deixou escapar 11 pontos. Dezoito vitórias em 22 jogos é bastante impressionante, mas perder tantos pontos e ainda assim conquistar o título é algo quase inimaginável nas ligas rivais. Na Espanha, uma campeã não perde 11 pontos desde a temporada 2017-18, e isso não acontece na Alemanha desde a campanha 2016-17. Na França, é preciso fazer ajustes para converter para três pontos por vitória e um por empate, já que a última vez que isso aconteceu com as regras atuais foi em 2003-04, quando a liga na verdade concedia quatro pontos por vitória e dois por empate.

    Nas últimas oito temporadas, a campeã da WSL perdeu mais pontos no caminho até o título do que as campeãs de França, Alemanha e Espanha em seis ocasiões. Nas outras duas, nas temporadas 2024-25 e 2018-19, a campeã da Frauen-Bundesliga perdeu um ponto a mais do que a campeã da WSL.

  • Fortunas contrastantes

    Chelsea Women 2020-21
    Getty Images

    O Chelsea conquistou seis títulos consecutivos da WSL entre 2020 e 2025, mas só chegou a uma final da Liga dos Campeões nesse período

    Nada disso serve para diminuir equipes como Barcelona, Lyon ou Bayern de Munique, nem aquelas que vieram antes delas, que se tornaram tão fortes a ponto de dominar a competição doméstica. Isso é mérito desses clubes por investirem e montarem times incríveis, capazes de se transformar em verdadeiras máquinas de vencer.

    Isso muitas vezes também se traduziu em sucesso na Liga dos Campeões, com Barcelona, Lyon e Wolfsburg, que o Bayern agora superou para se tornar a força dominante da Alemanha, todos conquistando vários títulos europeus. Enquanto isso, o triunfo continental do Arsenal em 2025 foi o primeiro de um clube inglês em 18 anos, depois que o Arsenal venceu o Umea na final de 2007.

    O Chelsea foi quem chegou mais perto de se juntar ao rival londrino na conquista da Europa como um time inglês, mas não conseguiu transformar o domínio doméstico, em meio a seis títulos consecutivos da WSL, em seu primeiro título da Liga dos Campeões.

    Pelo menos um fator limitador tem sido a competitividade da WSL, o que significa que jogadoras importantes não podem ser poupadas com tanta facilidade. "Acho que, quando você tem a Liga dos Campeões e a liga, para mim, o nível é quase o mesmo", disse Sonia Bompastor, que foi técnica campeã da Liga dos Campeões pelo Lyon antes de chegar ao Chelsea, à GOAL neste verão, referindo-se à competitividade da WSL. É algo que já foi mencionado antes também em relação à Premier League masculina.

  • Desafios semanais

    Alexia Putellas London City Lionesses 2026-27
    Getty Images

    Putellas já experimentou a natureza competitiva da WSL depois que seu London City perdeu para o West Ham apenas uma semana após vencer o Manchester United

    Mas, embora esse nível de competição às vezes represente um obstáculo para treinadores e equipes, ele está desempenhando um papel fundamental para atrair talentos de elite para a Inglaterra. Ser desafiado e pressionado toda semana é o que os principais jogadores querem, e é na WSL que eles encontram isso.

    "Na minha opinião, você nunca sabe qual será o resultado do jogo", disse Putellas aos repórteres neste verão, depois de deixar o Barca para se juntar ao emergente London City Lionesses, de Londres, de propriedade da bilionária Michele Kang. "É uma liga muito competitiva, semana após semana."

    Batlle, que anteriormente jogou pelo Manchester United na WSL entre 2020 e 2023, fez comentários semelhantes após retornar à Inglaterra para se juntar ao Arsenal: "Fiquei muito animada por estar de volta à WSL. Acho que é a liga mais competitiva e era um desafio que eu estava procurando. Agora, acho que é um bom momento e lugar para estar, para aproveitar estes próximos anos aqui e competir a cada fim de semana."

  • Domínio incrível

    Selma Bacha Lyon Women 2025-26
    Getty Images

    O Lyon venceu 19 dos últimos 20 títulos da Premiere Ligue e completou uma tríplice coroa nacional sem perder um único jogo na temporada 2025-26

    É uma consequência do investimento que está acontecendo em toda a liga, e não apenas em alguns clubes. O compromisso do Barcelona com sua equipe feminina supera o de qualquer outro na Liga F e o mesmo pode ser dito do Lyon na França. Tem sido um ponto de frustração para essas equipes o fato de as outras não estarem se esforçando para alcançar o patamar que elas estabeleceram.

    Na França, por exemplo, a liga introduziu um formato de play-off no fim da temporada a partir da temporada 2023-24 para decidir o título da liga, um torneio que o Lyon venceu em todos os anos, com exceção de um, desde seu primeiro triunfo em 2007. Ada Hegerberg, atacante estrela do OL e a primeira vencedora da Bola de Ouro Feminina, descreveu a mudança como "terrível" ao falar com a GOAL depois que isso aconteceu pela primeira vez, há dois anos.

    "Em vez de pressionar e tentar atingir os padrões das melhores, você tenta puxá-las para baixo para criar alguma emoção na liga", lamentou. "Como você explica às jogadoras que vencem esta liga por 11 pontos que ainda precisam disputar dois jogos para decidir a liga? Acho loucura chegarmos a esse ponto. Não entendo."

  • Forças em ascensão

    Madison Haley Brighton Women 2025-26
    Getty Images

    O Brighton é um dos vários clubes que vêm fazendo progressos significativos na WSL, como mostram as vitórias sobre Manchester City e Arsenal na temporada passada e a campanha até a final da FA Cup

    Na WSL, não é preciso drama fabricado. Sim, o Chelsea conquistou seis títulos seguidos recentemente, mas apenas o triunfo de 2024-25 se transformou em uma conclusão inevitável. As quatro disputas pelo título anteriores foram até a última rodada, com o destino do troféu em 2023-24 decidido no saldo de gols.

    Isso acontece porque há alguns clubes enormes, como Arsenal, Chelsea e Manchester City, e depois times como Manchester United, Tottenham, Brighton e Liverpool, que bagunçaram as coisas nos últimos tempos. Só nesta temporada, Aston Villa e o recém-promovido Crystal Palace tiraram pontos do já citado 'Big Three'. Quase todas as equipes estão investindo, crescendo e atraindo grandes talentos, o que significa que a qualidade está espalhada por toda a liga.

    "Evoluiu", disse Batlle sobre a WSL neste verão, depois de retornar à liga após três anos fora. "Há muitas grandes jogadoras nesta liga e acho que todos os times deram um passo à frente. Há muitos bons clubes tentando investir e montar boas equipes para competir bem e tentar vencer esta liga."

    Leon, sua companheira de seleção espanhola que está na liga pela primeira vez após se juntar ao London City, expressou sentimento parecido em entrevista ao Guardian: "O compromisso que a liga está assumindo, quero dizer os clubes, acho que tudo torna isso muito atraente para vir, porque venho acompanhando a liga inglesa ao longo destes anos e parece que ela não deixa você relaxar nem por um segundo, em nenhuma partida, em nenhum momento do jogo. Nenhum segundo permite relaxar, porque a liga inglesa é muito mais competitiva."

  • Novo desafio

    Mariona Caldentey Arsenal Women UWCL trophy 2024-25
    Getty Images

    Caldentey é outra ex-estrela do Barcelona a se juntar recentemente à WSL, citando um novo desafio como motivo para sua mudança

    Então, quando uma jogadora como Leon, que havia passado toda a carreira na Espanha e os últimos nove anos no Barcelona, está procurando sair da zona de conforto, ir para um novo país e vivenciar um novo estilo, foi para a WSL que ela olhou em busca desse desafio, por suas diferenças, mas também por sua qualidade, competitividade e investimento.

    "Meu corpo estava pedindo algo diferente", explicou Leon, ao falar sobre os motivos por trás de sua ida para o London City. “Passei muitos anos em uma posição confortável, porque jogar no Barcelona foi absolutamente maravilhoso e muito bom; é um estilo de jogo que combina muito comigo.

    "Vindo para a Inglaterra, o futebol é muito diferente do espanhol, à primeira vista. Então, acho que [o motivo foi] poder me desafiar e ver se sou capaz. Vou fazer um esforço para me adaptar a esta liga e também para mostrar a mim mesma que sou capaz de competir em outro estilo de jogo que não é aquele em que mais me destaco."

    Caldentey, que se transferiu do Barcelona para o Arsenal em 2024 e foi uma peça-chave no sucesso do Arsenal na Champions League em sua primeira temporada, disse algo parecido em entrevista ao Arseblog ao refletir sobre sua mudança: "Acho que foi basicamente para sair da minha zona de conforto, porque eu estava havia muito tempo em um só lugar. Então você chega à melhor liga do mundo, tendo o mais alto nível de competição a cada três dias. É um desafio realmente muito bom."

  • O melhor do mundo

    Hannah Hampton Chelsea Women 2024-25
    Getty Images

    Mas não se trata apenas de talento de classe mundial importado, já que a WSL também ajudou jogadoras locais a se tornarem de elite

    Mas a WSL não se torna de repente a melhor liga do mundo porque grandes jogadoras estão chegando e elevando o nível. A base já é alta porque a liga já vem crescendo e, como resultado, as jogadoras que atuam nela têm evoluído.

    É nesta liga que estrelas da Inglaterra como Hannah Hampton e Alessia Russo se tornaram jogadoras de classe mundial, e que nomes como Khadija Shaw e Yui Hasegawa também se desenvolveram e viraram algumas das melhores futebolistas do mundo. Para algumas pessoas, jogadoras como Vivianne Miedema e Emily Fox já estavam nessa categoria antes de chegarem à Inglaterra, mas poucos argumentariam que elas não evoluíram e subiram mais um nível enquanto estiveram na WSL.

    A NWSL, a primeira divisão dos Estados Unidos, tem argumentos quando se trata de ser mais competitiva do que sua rival inglesa. Nesta temporada, o Chicago Stars, lanterna, venceu o Kansas City Current, campeão do NWSL Shield de 2025, e o Utah Royals, que atualmente é o quarto colocado na tabela. O Boston Legacy, terceiro de baixo para cima, também tem uma vitória sobre o Utah no currículo, resultado que foi confirmado uma semana depois com um triunfo sobre o Washington Spirit, terceiro colocado. Esses resultados acontecem ocasionalmente na WSL, mas o mantra de que "qualquer um pode vencer qualquer um" ainda não é exatamente verdadeiro na Inglaterra.

    Ela está chegando mais perto disso, ao mesmo tempo em que atrai mais talentos de classe mundial do que qualquer outra divisão do futebol feminino. Enquanto outras ligas pensam no que fazer diante da ameaça de perder suas melhores jogadoras, a WSL segue trazendo cada vez mais talento de todas as partes do mundo e também vendo grandes estrelas formadas em casa, como Mary Earps e Georgia Stanway, retornarem.

    O debate pode continuar, mas está cada vez mais difícil argumentar que a WSL não é hoje a melhor liga do futebol feminino. As chegadas de Putellas, Leon, Batlle e outras só servem como confirmação.