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Zinedine Zidane e o fim dos famosos desfiles de moda de Clairefontaine da França

Krishan Davis
Traduzido por
  • Era uma marca registrada da pausa internacional: toda vez que a seleção da França se reunia em sua base de Clairefontaine, nos arredores de Paris, o estacionamento virava uma passarela enquanto os jogadores posavam para os fotógrafos à espera, vestindo roupas de grife.

    Dos looks elegantes aos mais extravagantes, e invariavelmente obscenamente caros, os visuais exibidos haviam transformado, de forma inesperada, as chegadas de Les Bleus ao centro de treinamento em uma sensação viral, e os jogadores realmente abraçaram isso ao ganharem a oportunidade de mostrar seu estilo individual fora de campo.

    No entanto, a passarela de Clairefontaine não existe mais, com o novo técnico da França, Zinedine Zidane, colocando um ponto-final abrupto no que havia se tornado um momento cultural do futebol.

  • A postura firme de Zidane

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    AFP

    Zinedine Zidane impôs algumas regras rígidas após iniciar oficialmente seu cargo como técnico da França, com muitas delas afetando a cobertura da mídia

    Claramente disposto a deixar sua marca após finalmente assumir o comando de Didier Deschamps depois da Copa do Mundo no verão, Zidane passou a impor novas regras rígidas, aparentemente para garantir que todo o foco esteja no que acontece dentro de campo.

    Entre uma série de mudanças no acesso da imprensa, a lenda de França e Real Madrid proibiu a imprensa de registrar a chegada de seu elenco no início da pausa internacional, com as imagens sendo publicadas apenas pelos canais oficiais da Federação Francesa de Futebol (FFF).

    Segundo a publicação espanhola AS, a medida foi pensada especificamente para proteger seus jogadores e garantir que seus trajes não criem uma polêmica desnecessária, como aconteceu no passado.

    Zidane também não quis câmeras de televisão presentes quando anunciou sua primeira convocação em uma coletiva de imprensa, que, em vez disso, foi transmitida pela FFF. Os repórteres, no entanto, puderam assistir a determinados treinos e receberam permissão para fazer entrevistas em uma zona mista, o que não acontecia sob o comando de Deschamps.

    Os jogadores também são afetados; segundo o L'Equipe, barbeiros particulares foram proibidos de entrar em Clairefontaine, enquanto Zidane busca transformar a base da França em um santuário fechado para pessoas de fora.

  • Fim de uma era

    France players
    Getty

    Jogadores franceses vêm chamando atenção com seus looks na chegada ao centro de treinamento da França há mais de 15 anos.

    O desfile de Clairefontaine não era novidade, com as novas regras de Zidane colocando fim ao que havia se tornado um ritual não oficial entre membros das diferentes seleções da França ao longo dos anos.

    Se você mergulhar nos arquivos, verá que os jogadores da França vinham vestindo seus melhores looks para serem fotografados pela imprensa que os aguardava na chegada ao centro de treinamentos havia mais de 15 anos, desde o início dos dois anos de Laurent Blanc no comando, no verão de 2010.

    Há imagens daquela época de Samir Nasri chegando com uma camiseta de James Dean e duas bolsas Louis Vuitton, Loic Remy com um trench coat transpassado com cinto e Florent Malouda com uma jaqueta de couro e um gorro da Chrome Hearts, supostamente avaliado em quase £5.000 hoje, todos sorrindo e acenando para a câmera enquanto, por um breve momento, eram vistos ostentando marcas de luxo em vez de roupa de treino ou do uniforme de jogo.

    Eles foram os pioneiros e, a partir dali, as fotos de chegada da França se tornaram presença constante, e também um dos principais assuntos, no calendário do futebol de seleções.

  • 'Os jogadores estão se tornando influenciadores'

    Theo Hernandez France
    Getty

    As chegadas do elenco da França a Clairefontaine acabaram se tornando uma sensação da mídia, com publicações de moda também se interessando

    Chegou a um ponto em que não eram apenas jornais e veículos esportivos que pediam credenciamento para as chegadas dos jogadores, mas também algumas das maiores publicações de moda.

    "É um momento-chave para nós", disse Adrien Communier, chefe da seção de estilo da GQ France à The Fashion Network no ano passado. "Funciona bem porque eles são figuras reconhecidas na cultura popular."

    Marie-Laure Gutton, curadora da exposição Fashion in Motion no Palais Galliera, em Paris, acrescentou: "Os jogadores estão se tornando influenciadores. Essas roupas de luxo não são necessariamente acessíveis a todos que assistem a esses jogadores, mas podem inspirar, podem fazer as pessoas quererem se vestir de forma diferente, com peças semelhantes de marcas mais acessíveis."

    Jules Kounde, do Barcelona, uma das atuais estrelas da França que se vê como um fashionista, claramente gostou do espetáculo. "Está gerando muito burburinho, vejo isso nas redes sociais, até a grande mídia está prestando atenção", disse. "É legal, também é uma espécie de competição amigável entre nós [jogadores]. Acho que é saudável. Gosto de fazer isso, me sinto bem com minhas roupas."

  • Do bizarro ao ridículo

    France outfits GFX
    Getty/ GOAL

    A imprensa à espera em Clairefontain testemunhou uma variedade de trajes ao longo dos anos, dos elegantes e totalmente na moda aos absolutamente bizarros

    A suspensão de Zidane significa que este é um bom momento para relembrar alguns dos looks mais marcantes e mais bizarros que vimos no estacionamento de Clairefontaine. Obviamente, a moda evoluiu desde o início dos anos 2010 e, olhando em retrospecto, é justo dizer que houve muitos desastres.

    Como você já deve ter percebido pelas descrições anteriores, alguns dos visuais das jogadoras pioneiras daquele período não resistiram ao teste do tempo, mas mais recentemente, à medida que certas estrelas realmente abraçam esse lado criativo, vimos alguns grandes acertos, assim como muitos que chamaram atenção pelos motivos errados.

    A chegada de Kounde é aguardada com grande expectativa a cada pausa para jogos de seleções. Em março de 2024, ele chamou atenção ao aparecer com um visual fora do comum, com chapéu amarelo e fleece combinando sobre jaqueta e calça Louis Vuitton em double denim. Um par de extravagantes moonboots da Ugg completou o look.

    Dá para argumentar que Kounde se redimiu mais tarde naquele ano, rendendo até uma matéria inteira na GQ com o que a revista descreveu como uma "versão parisiense elevada do blokecore", com uma jaqueta esportiva vintage da adidas da França, calças pretas de perna larga e tênis Copa Mundial.

    O ex-jogador do Liverpool Ibrahima Konate é outra estrela francesa que gosta de fazer uma declaração de estilo quando se apresenta à seleção. O zagueiro viralizou em outubro de 2024 depois de sair do carro vestindo um terno da Kenzo sobre um estranho moletom verde de tela, fechado até cobrir todo o rosto. Depois, ele brincou dizendo que estava tentando competir com Kounde.

    Jules Kounde France 2024Getty Images
  • Distração indesejada?

    Além da excentricidade, o custo exorbitante da maioria desses looks provavelmente é uma grande parte da razão pela qual Zidane decidiu pôr fim ao frenesi midiático em torno das chegadas de seus jogadores à concentração.

    A conta francesa de redes sociais @clothes.rap vem detalhando o custo dos visuais desde 2024, com os valores chegando regularmente à casa das dezenas de milhares de euros e até alcançando seis dígitos quando os relógios entram na conta.

    O visual de Kounde inspirado no blokecore, em 2024, foi calculado em € 11.660 sem relógio, enquanto um relógio Audemars Piguet de € 160.000 fez parte de seu look de chegada em setembro de 2025.


    Mesmo quando os jogadores aparentemente se vestem de forma mais simples, os números são significativos. Um look simples de Kylian Mbappe no ano passado, composto por camisa e calça Dior combinando, uma camiseta Dior, tênis da Nike e um relógio Hublot, foi avaliado em mais de € 50.000. O conjunto de Benjamin Pavard da Bottega Veneta, de março de 2025, custou € 11.690 sem relógio.

    Esses valores astronômicos provavelmente ajudam a explicar por que Zidane pôs fim ao ritual pré-concentração diante das câmeras. Parece uma medida sensata, e os jogadores ainda podem optar por se arrumar para a mídia interna, se assim desejarem. Se este é o fim da passarela de Clairefontaine, ao menos sempre teremos as fotos para relembrar.